A vocalista dos Clã participou, ao lado de Hélder Gonçalves, numa concentração na Praça D. João I, no Porto, em defesa do direito à habitação. A artista destacou a importância da democracia direta, das assembleias populares e da participação dos cidadãos na procura de soluções para os problemas do país.
Manuela Azevedo, vocalista dos Clã, mostrou-se emocionada com o movimento de protesto pelo direito à habitação que tem reunido cidadãos na Praça D. João I, no Porto. Em declarações à agência Lusa, a cantora manifestou esperança no futuro, destacando a capacidade das pessoas para se organizarem, debaterem problemas e procurarem soluções através da participação coletiva.
A artista participou na abertura de uma das concentrações ao lado de Hélder Gonçalves, também membro dos Clã. A iniciativa reuniu mais de mil pessoas, num movimento que tem chamado a atenção para as dificuldades de acesso à habitação e o aumento do custo de vida. Fonte: Lusa, via Notícias ao Minuto.
Manuela Azevedo destaca a força da democracia direta
Para Manuela Azevedo, um dos aspetos mais marcantes do que testemunhou na Praça D. João I foi a forma como os participantes se organizam e tomam decisões em conjunto. A cantora destacou a importância de as pessoas poderem falar diretamente, apresentar as suas opiniões e participar ativamente nas discussões.
“Esse exercício de democracia direta que vi ontem deixou-me mesmo muito comovida e esperançada com o que possa vir no futuro”, afirmou à Lusa.
A vocalista dos Clã sublinhou ainda que o contacto direto entre cidadãos pode tornar mais simples a discussão de problemas que, muitas vezes, parecem difíceis de resolver através dos mecanismos políticos tradicionais.
A experiência levou-a também a questionar a ausência de representantes políticos nestes espaços de debate público. Na perspetiva da artista, os responsáveis políticos teriam muito a aprender com a forma como as comunidades se organizam e procuram respostas para as suas preocupações.
O apelo à participação política e à vida em comunidade
Nas suas declarações, Manuela Azevedo lamentou que os políticos não estejam mais presentes junto das pessoas que participam nestas iniciativas, defendendo a importância de ouvir os cidadãos diretamente e de compreender as suas dificuldades.
A cantora considera que as assembleias populares, realizadas regularmente no âmbito do protesto, podem contribuir para encontrar soluções para diferentes problemas sociais. O direito à habitação é uma das principais preocupações do movimento, mas a discussão abrange também o custo de vida e as condições necessárias para garantir uma vida digna.
A artista recordou igualmente a luta da comunidade de Covas do Barroso, que tem defendido o seu território perante projetos de exploração de recursos minerais. Para Manuela Azevedo, esta mobilização demonstra como a organização comunitária pode ultrapassar os interesses locais, envolvendo questões importantes para o país, nomeadamente a preservação da água, da paisagem e da sustentabilidade ambiental.
Clã, Capicua e poesia marcaram a concentração
A participação de Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves integrou um programa que cruzou música, poesia e intervenção cívica. Depois da atuação dos Clã, a iniciativa contou com a participação da rapper Capicua e com uma sessão de leitura de poesia.
A concentração ficou também marcada por momentos de solidariedade com movimentos semelhantes em Espanha, através de uma videoconferência com participantes de acampadas em várias cidades espanholas. O encontro incluiu cânticos conjuntos, entre os quais “Grândola, Vila Morena”, canção historicamente associada à liberdade e à democracia em Portugal.
A Praça D. João I tornou-se, assim, um espaço de encontro e discussão em torno das dificuldades sentidas por quem procura uma habitação acessível. O protesto, iniciado no Porto a 10 de outubro de 2026, conheceu vários momentos de tensão, incluindo uma intervenção policial para retirar tendas do local, mas os manifestantes regressaram à praça para dar continuidade à mobilização.
Uma intervenção que vai além da música
A presença de Manuela Azevedo neste protesto evidencia o envolvimento da cantora numa questão que ultrapassa o universo artístico. As suas declarações colocam em destaque a importância da participação cívica, da proximidade entre cidadãos e decisores políticos e da capacidade das comunidades para se organizarem em torno de objetivos comuns.
Ao partilhar a emoção e a esperança que sentiu na Praça D. João I, a vocalista dos Clã deixou uma mensagem centrada no diálogo e na ação coletiva. Para a artista, a possibilidade de as pessoas se encontrarem, debaterem os seus problemas e participarem nas decisões é uma parte essencial da construção de respostas para os desafios da sociedade.
Num contexto de crescente preocupação com o acesso à habitação, as palavras de Manuela Azevedo dão voz à importância de ouvir as comunidades e de reconhecer o papel da participação popular na vida democrática.
